Uma das vertentes diz que o kickboxing teria surgido da mistura do muay thai, que é o boxe tailandês, com o karatê, praticado no Japão. Havia naquele pais asiático um grupo de caratecas que tinham como hábito desafiar atletas de outras modalidades. Donos de uma técnica excepcional os caratecas japoneses invariavelmente venciam tais desafios. Ao saber que na Tailândia havia praticantes de uma atividade similar, estes atletas viajaram a aquele pais a fim de desafiá-los. Os japoneses só se deram conta que não eram invencíveis após seu sensei, seu treinador e principal atleta, ser derrotado pelo representante anfitrião. A conclusão a que chegaram é a de que o karatê praticado pelos nipônicos não se mostrou forte o eficiente paras se sobrepujar ao boxe tailandês.
“Se eu que sou bom neste esporte perdi para um adversário que pratica um esporte diferente, então este esporte deve ser bom”- teria pensado o sensei japonês. Então ele convidou a ir ao Japão um mestre tailandês chamado Mister Pac para ensinar aquele tipo de luta ao atleta japonês. Mister Pac ensinou o boxe tailandês aos japoneses. Estes misturaram o boxe tailandês com o karatê, de cuja mistura nasceu o kickboxing. O novo esporte foi levado para a Europa, que o levou aos Estados Unidos. O kickboxing se resume em socos, chutes e joelhadas.
A outra versão diz que a modalidade surgiu nos Estados Unidos na década de 1970, criada por atletas de karatê, que descontentes com os movimentos convencionais do esporte passaram a desenvolver uma técnica que permitia o contato pleno. Para isso, passaram a fazer uso de protetores de mãos e pés, a fim de diminuir o risco de lesões. Como o novo tipo de modalidade apresentava propriedades diferenciadas ao do karatê de competição, os praticantes chegaram à conclusão de que haviam criado outro tipo de luta.
A esta luta decidiram dar o nome de Full Contact. Por tratar-se novidade no campo das artes marciais, em razão da ideia concebida do “chutar boxeando” o esporte acabou recebendo o nome de kickboxing. Porém, foi somente com a ida de Dominique Valera (considerado um dos maiores nomes do Karatê mundial) aos EUA que a denominação Kickboxing se popularizou.
Numa análise mais cuidadosa não há como não perceber que uma informação complementa a outra, com a origem do esporte tendo nascido do desejo de superação de um atleta inconformado com as “limitações” de seu esporte usual. Embora possa parecer estranho, apesar de ser um esporte de contato, os combates nem sempre são decididos por nocaute. Devido à capacidade dos lutadores, vez ou outra os combates são decididos por contagem de pontos.
Como no boxe que conhecemos o kickboxing se divide em amador e profissional. Nos amadores é obrigado usar um tipo de proteção, que são caneleiras, luvas de boxe, coquilha, protetor bucal e o capacete. No profissional, como são mais experientes só se usa os protetores bucal, protetor genital e as luvas.
Há uma variedade de artes marciais nomeadas como kickboxing, incluindo o adithada (boxe indiano), lethwei (boxe birmanês), Savate (boxe francês), Num sentido mais reservado a terminação kickboxing é associado ao kickboxing japonês e ao kickboxing americano. No Brasil e em Portugal o esporte foi introduzido em 1976.
São José dos Campos
O kickboxing genuíno, praticado tal qual o conhecemos hoje teve como primeiro treinador o professor Cristiano Bueno, natural de São José dos Campos, mas graduado em São Paulo em 1993. Havia outros treinadores de artes marciais em São José dos Campos, mas estes eram professores de Kung Fu, Taekwondo e até modalidades similares, que incluíam o esporte durante as aulas que ministravam.
Sete anos foi o tempo em que Bueno esteve à frente da modalidade. Tempo necessário para a formação do professor Ednilson Rodrigues, que por sua vez formou o professor Diego David Alves no ano 2000. Após a graduação deste, que se tornou faixa preta, o então treinador decidiu se retirar de cena. Os atletas citados foram os primeiros praticantes de kickboxing na cidade a se graduar.
Substituto de Cristiano Bueno, Diego foi o primeiro treinador a ser reconhecido pela Confederação Brasileira de Kickboxing, como treinador de outros atletas, em São José. Para este fato existe uma explicação: embora capacitado para a função, o antigo treinador não era oficialmente reconhecido pela Confederação. Atualmente, existem apenas três professores de kickboxing graduados faixa preta 4º grau no estado de São Paulo. Diego Alves é um deles.
No inicio não existia um ponto específico para a pratica do kickboxing em São José dos Campos. Dentre os locais utilizados estavam a boate Paradise, que ficava na Avenida São José, e a extinta Academia Guerreiros que ficava próxima ao Sanatório Vicentino Aranha, e que serviram de palco para treinamentos em suas andanças. O fato de o esporte ser considerado violento impedia de ser aceito em clubes tradicionais como Tênis Clube, CTA e Associação Esportiva São José.
Campeão mundial na Argentina em 2003, campeão brasileiro sul-americano, pan-americano em 2006, pentacampeão paulista; títulos conquistados em 2008, 2009, 2011 e 2013... Os títulos conquistados fizeram de Diego Alves o sexto colocado no ranking das Américas atualmente.
Faixa preta graduado em 2000, formado em Educação Física desde 2007, além de curso de especialização, Diego é formado também em Cross Fit (Cross Training é termo mais usado no Brasil), que englobam três modalidades: ginástica olímpica, LPO, que são o levantamento olímpico, e atletismo. Afora estes o treinador tem uma dezena de cursos realizados em várias partes do mundo. Somente nos Estados Unidos ele esteve cinco vezes, entre 2012 e 2014, visitando as principais academias daquele país a fim de se aperfeiçoar.
O trabalho desenvolvido por Diego Alves durante os últimos 15 anos levou o kickboxing de São José dos Campos à condição de estar entre as três melhores do estado de São Paulo e as dez melhores do Brasil. O trabalho é observado de perto pelo presidente da Confederação Brasileira de Kickboxing, Paulo Zorello, que o promoveu a representante da modalidade no Vale do Paraíba. Hoje é coordenador-técnico do FADENP. Treinador da equipe brasileira de juniores em Belgrado, na Sérvia em 2010, foi campeão masculino e feminino no primeiro evento do kickboxing nos Jogos Abertos do Interior, ocorridos em Santos 2010. Em média oito equipes disputam a competição, e São José dos Campos tem estado entre as três primeiras colocações.
Representando o Brasil, atletas de José dos Campos têm participado do Circuito Internacional da modalidade. Até a presente data aconteceram seis campeonatos Sul-americanos e oito Pan-americanos, com o país conquistando o título em todas as competições. Cleidinei Junior, Miqueias Ribeiro, Hugo Pinheiro, Henrique Pinheiro são alguns dos destaques na cidade, todos campeões paulistas.
A Confederação Brasileira de Kickboxing é sediada em São Paulo, capital. A Confederação Pan-americana tem como sede a cidde de Piracicaba. É um centro bem avançado; recebe atletas do mundo inteiro para treinamento; principalmente as da América do Norte, do Sul e América Central.
Enquanto os asiáticos dominam o boxe tailandês, o kickboxing tem, pela ordem, Rússia, Bielorrússia, Bulgária, Sérvia, Croácia como os mais fortes neste esporte. A ex- representante soviética foi campeã do mundo sete vezes consecutivas; sua conquista mais recente aconteceu em Belgrado, na Sérvia. A Holanda também pratica um kickboxing muito forte, tanto que atletas do mundo inteiro sonham em treinar em Amsterdã.
Texto atualizado em 19/11/2015, às 14h00.
Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC
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