Goalball

Modalidades Esportivas

O Goalball surgiu na Alemanha em 1946, criado pelo austríaco Hanz Lorenzen e pelo germânico Sep Reindle, ambos professores de educação física, com o objetivo de servir como terapia e auxiliar na ressocialização de ex- combatentes que haviam perdido a visão durante a II Guerra Mundial. É a única modalidade esportiva criada exclusivamente para a pratica de pessoas cegas ou portadoras de baixa visão. Embora não tenha sido criada com este objetivo, a ideia deu tão certa a ponto de ser transformado em esporte competitivo, sendo incluído em caráter de exibição em 1976, nos Jogos Paralimpicos de Toronto, no Canadá. A partir de Arnhen, Holanda em 1980, os jogos ganharam caráter de competição. Atualmente o esporte é pratica em mais de 120 países.

A modalidade começou a ser praticada no Brasil em 1985, mais precisamente em São Paulo, por intermédio do professor Steven Dubner, no Clube de Apoio ao Deficiente Visual (CADEVI), sendo implantada como modalidade oficial da ABDC em 1986, pelo professor Mario Sérgio Fontes, que a levou inicialmente para a Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (ADEVIPAR). O primeiro Campeonato Brasileiro ocorreu em 1987 na cidade de Uberlândia – MG, levando o país a ser um dos que mais exercitam esta modalidade no mundo (hoje, mais de 70 equipes masculinas e femininas filiadas à Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Visuais - CBDV - praticam o esporte) a ponto de levá-lo a ser sede do VII Campeonato Mundial de Goalball masculino, disputada no Rio de Janeiro em 2002.

A medalha de Prata da equipe masculina no Pan-Americano da Argentina em 1995, e a de bronze da equipe feminina no Pan-Americano nos Estados Unidos em 2001 foram as primeiras conquistas internacionais do Brasil nesta modalidade. Em 2003 a equipe feminina conquistaria um feito expressivo: a medalha de prata no mundial de Quebec, no Canadá. Este resultado levou a equipe brasileira à disputa dos Jogos Paralimpícos de Atenas em 2004. No IV Jogos Pan-Americanos realizados em São Paulo, 2005, coube às meninas se superar: conquista da medalha de prata, vencendo potências como Estados Unidos e Canadá.

Já a Seleção masculina estreou em na Paralimpiada de Pequim em 2008. Tal qual a feminina a equipe masculina não passaria da primeira fase. Melhor sorte aconteceu com a equipe que disputou a Paralimpiada de Londres em 2012: a medalha de prata conquistada pela equipe masculina viria a confirmar o crescimento deste esporte no Brasil.

Regras

Os jogos acontecem dentro de uma quadra retangular medindo 9m x 18m. Utiliza-se uma bola contendo guizos para que os jogadores possam distinguir para onde está sendo arremessada. Sob uma fita adesiva, é colocado um barbante na linha demarcatória a fim de facilitar a localização. Devido à característica, a modalidade lembra muito ao boliche, com a diferença de que ao invés dos pinos, no Goalball a bola é arremessada rolando em direção ao gol adversário.

Embora os jogadores tenham a tradução para o português, as regras do golbol são todas pronunciadas em inglês. Cada equipe tem três jogadores. Os treinadores podem pedir três tempos técnicos em cada tempo e fazer apenas 3 substituições durante todo o jogo. Os jogadores têm dez segundos para defender e arremessar. Cada partida tem dois tempos livres de 12 minutos, podendo chegar a 50 ou mais, dependendo das interrupções a que forem submetidas. Por ser um esporte onde o tato e a audição são os fatores principais a plateia tem que permanecer no mais absoluto silencio, só podendo se manifestar em comemoração aos gols.

Classificação: B1, pode não enxergar nada, mas tem uma percepção, o B 2 consegue enxergar vulto, e o B3 já consegue qualificar uma imagem. Um “baixa visão” que enxerga pouco é considerado cego.

Em São José dos Campos, o Goalball começou a ser praticado em 2005, por meio da PROVISÃO apoiada pela empresa aeronáutica First Wave; sendo hoje uma das modalidades da categoria PCD a representar a cidade nos Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior. Competições à parte, este tipo de esporte exerce uma influência muito importante na vida do praticante ajudando-o a interagir na sociedade, uma vez que o deficiente visual costuma ser uma pessoa retraída.

A pratica desta modalidade exige do atleta muita comunicação. Infelizmente, no Brasil a incidência de deficientes à procura da pratica do Goalball ainda é muito pouca. Cristiane Santana, professora de Educação Física há quatro anos desenvolvendo trabalho de Educadora Física na Provisão, é categórica ao afirmar que se os postinhos de saúde (UBS) ajudassem na divulgação a modalidade certamente teria mais adeptos. Informar ao deficiente físico acerca dos benefícios que teria ao procurar a PROVISÃO seria uma boa argumentação. Segundo ela não ha limite de idade nesta modalidade: é possível se encontrar numa mesma quadra adolescente a partir dos 12 anos de idade até veteranos com 50 anos ou mais.

Para que se tenha a dimensão exata da pouca procura da modalidade na cidade basta citar que em São José dos Campos existem apenas duas equipes de Goalball: Provisão, e Instituto Athlon, que é uma entidade particular. A escassez de jogadores dificulta a formação de equipes. Isto acontece porque, segundo Cristiane, deficientes visuais dificilmente tomam iniciativa por conta própria. Ainda assim de 2010 para cá, a modalidade tem crescido acentuadamente em nível de Brasil. Tanto que a modalidade possui competições oficiais a níveis estadual e nacional.

A PROVISÃO tem desenvolvido ao longo do tempo um excelente trabalho de iniciação esportiva - e não apenas no Goalball, porquanto, com parceria Secretaria de Esporte e Lazer tem oferecido a crianças e jovens deficientes visuais entre 06 e 18 anos a oportunidade de iniciação esportiva nas modalidades de atletismo, capoeira, e em breve o bocha adaptado ao xadrez - tanto na categoria masculino quanto feminino, transformando o que poderia ser apenas um meio de integração social em esporte de alto rendimento. Cristiane Santana como auxiliar o Professor de Educação Física Christian Domingos de Freitas Carvalho.

Títulos

Desde o início, quando teve como primeira patrocinadora a empresa aeronáutica First Wave, a equipe de Goalball da Provisão vem acumulando uma série de vitórias. Juntando-se as categorias masculina e feminina, a entidade já ultrapassou a casa dos 30 troféus conquistados, com destaque para o título de Campeão Brasileiro da Série B em 2010, e os de vice-campeão paulista em 2007 e 2008, respectivamente.

*Campeonato Paulista: Para chegar ao vice-campeonato a equipe joseense venceu Santos por 12x5 nas quartas de final e Itapetininga, por 9x2 nas semifinais. A disputa final aconteceu contra Mogi das Cruzes, atual vice-campeão brasileiro, com a equipe joseense sendo derrotada por 12x7.

O Goalball São José dos Campos é mantido pela Secretaria de Esportes de São José dos Campos e conta com o patrocínio da CCR Nova Dutra através de Lei de Incentivo Fiscal do município. A competição é promovida pela Federação Paulista de Desporto para Cegos.

Texto atualizado no dia 16/12/2014, às 09h20min.

Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC

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