A Ginástica Artística é um conjunto de exercícios que conjugam força, agilidade e elasticidade. As origens da prática levam à Grécia Antiga, onde era usado o termo “Gymnádzein”, que significa “treinar” ou, na definição literal, "exercitar-se nu”. Após séculos sem destaque, a modalidade voltou à tona no século XVIII, quando foram criadas as escolas Alemã (caracterizada por movimentos lentos e rítmicos) e Sueca (à base de aparelhos). Essas escolas foram responsáveis pelo desenvolvimento da modalidade, em especial, o Turnkunst, sistema de exercícios físicos idealizados por Friedrich Ludwig Jahn, a matriz essencial da atual ginástica olímpica.
Definição
Ginástica acrobática; Trampolim acrobático; Ginástica rítmica, Ginástica aeróbica, Ginástica artística (antigamente conhecida como olímpica). A ginástica artística, que era conhecida como ginástica olímpica e da qual estamos tratando, é feita no solo, na trave, nas barras... As provas para os homens são barra fixa, barras paralelas, cavalo com alças, salto sobre a mesa, argolas e solo. A ginástica artística feminina de exercícios de solo trave de equilíbrio, paralelas assimétricas, salto sobre o cavalo, hoje substituído pela mesa.
Basicamente, a pontuação é definida pelos movimentos. No caso do solo e das paralelas, a ginasta tem que “montar” uma série composta por oito exercícios. Estes exercícios têm valores que variam de um décimo até 4 décimos, sendo que o simples tem 1 décimo, um exercício de alta dificuldade tem 4 décimos. É o que se chama de “nota de dificuldade”. Acrescido a esta nota de dificuldade há outra chamada de valor de combinação. Quando uma atleta faz um exercício de alta dificuldade e em seguida executa outra também de alta dificuldade é acrescida outra chamada de “valor de ligação”. Soma-se ainda a execução.
Todas as notas partem de dez; sendo que há um acréscimo de 2 pontos mais meio ponto de ligação. O que dá de saída uma nota doze e meio (12,5). Os erros cometidos acarretam na diminuição de pontuação. Exemplo: uma queda tira um ponto; um pequeno desequilíbrio, um décimo; um desequilíbrio grande meio ponto. A arbitragem vai avaliando os erros cometidos e fazendo as deduções. A ginástica artística é ao mesmo tempo coletiva e individual.
Às notas individuais soma-se, fazendo a nota da equipe. Há alguns critérios para o somatório das notas: tem competição que vale quatro (4) notas, há outras que valem três (3) notas; de acordo com a quantidade das notas são os números de ginastas. Se uma prova vale quatro pontos, pode- -se utilizar cinco ginastas, sendo descartada a menor nota, somando-se as quatro maiores notas.
Segundo a norma do comitê Olímpico Internacional, todo esporte de alto rendimento deve ser iniciado no máximo com 12 anos de idade, onde o praticante já apresenta uma coordenação motora e psíquica definidos, facilitando o aprendizado. Diferentemente da ginástica artística (ou ginástica olímpica), cujo desenvolvimento psíquico e coordenação motora devem ser observados precocemente. Em sendo assim, o praticante de ginástica artística deve estar física e emocionalmente apto o exercício da modalidade com no máximo oito anos de idade.
Até meados de 1981 a idade mínima para atletas feminina era de quatorzea anos. Limite dificilmente ultrapassado, porquanto, as mulheres raramente competiam com menos de vinte anos. Campeãs olimpicas, Ágnes Keleti conquistou medalha aos 35 anos, Vera Caslavska foi campeã pela última vez aos 26; e grávida, Larissa Latynina faturou medalha de ouro aos 29 anos de idade.
Na década seguinte, por volta de 1970, a idade das ginastas acabou tendo significativa uma redução. Nadia Comaneci competiu aos 14 anos e Ludmila Tourischeva aos dezesseis, acarretando sérios problemas para a organização das competições. Pedidos de execeções, como a da canadense Karem Kelsall e da norte-americana Trece Talavera, de doze e treze anos, respectivamente.
Em resposta aos exageros de pedidos, e em decorrencia do aumento das exigencias físicas e pscologicas do desporto, a FIG houve por bem aumentar a idade das competidoras para quinze anos. A regra vigorou até 1997, sendo aumentada novamente, agora para dezesseis para competições olimpicas e quinze para as demais. Entretanto, o debate está longe de termiar, pois as ginastas de quinze anos ou menos que disputam outros tipos de competições passam pelas mesmas exigencias.
Brasil
Sem retrospecto favorável que a fizesse conhecida fora do Brasil a Ginástica Artística (então conhecida como ginástica olímpica) ganhou notoriedade internacional a partir da década de 1980, com Luísa Parente, até então a ginasta de melhor expressividade no país. Luísa disputou as Olimpíadas de Seul em 1988 e Barcelona 1992. Entre tantas medalhas conquistadas estão as de ouro obtidas nas provas individuais de salto sobre o cavalo e barras assimétricas no Pan-Americano de Cuba em 1991.
A estreia em Olimpíadas aconteceu em Moscou 1980, com Claudio Magalhães e João Luiz Ribeiro. Gerson Gnoatto e Tatiana Figueiredo, que terminou na 27ª colocação, foram os nossos representantes nas Olimpíadas de Los Angeles, 1984. Guilherme Sagese Pinto terminou na 89ª posição em Seul-1988, Marco Antônio Monteiro a 84ª em Barcelona-1992.
Esperança de colocações melhores para a ginástica brasileira, Soraya Carvalho conseguiu classificação para as Olimpíadas de Atlanta-1996, mas uma lesão no tornozelo a impediu de participar. Em 2000, nas Olimpíadas de Sydney, o Brasil participaria com duas ginastas (Daniele Hipólito e Camila Comim) pela primeira vez.
Mais experiente Daniele entra para a história da ginástica brasileira ao obter medalha de prata no solo em aparelhos, no Mundial da Bélgica em 2001. A ginástica brasileira cresce a olhos vistos e Daiane dos Santos se torna a primeira atleta brasileira a ganhar a medalha de ouro em campeonato mundial. A proeza aconteceu na ginástica de solo no Mundial dos Estados Unidos em 2003. Naquele ano o Brasil conseguiria classificar a equipe feminina completa para as Olimpíadas pela primeira vez.
A ginástica artística passa a ganhar maior notoriedade com a ascensão de Diego Hipólito, que consegue feito histórico arrebatando a medalha de ouro na prova de solo masculina no Campeonato Mundial de Melbourne, Austrália, em 2005. No ano seguinte é vice no Mundial de Aarus na Dinamarca. O atleta volta a brilhar conquistando a medalha de ouro, sagrando-se bicampeão da prova de ginástica de solo no Mundial de Stuttgart em 2007. Jade Barbosa conquista a medalha de bronze na categoria individual geral nesta mesma competição. O feito ganha proporção maior devido ao grau de dificuldade. Para chegar a final neste tipo de disputa o ginasta tem que obter uma performance excelente nos quatro aparelhos. Um ginasta pode ir do céu ao inferno em questão de segundos.
Favoritos para a medalha de ouro, Daiane dos Santos, em Atenas e Diego Hipólito em Pequim deixaram de perpetuar seus nomes na história das Olimpíadas devido a um único erro. Diga-se de passagem: a ginástica artística do Brasil, a feminina, especificamente passou a ter maior representatividade após a chegada do ucraniano Oleg Stapenko, ex- técnico de equipes soviéticas. Tanto pela condição técnica implantada aos nossos atletas quanta pelo respeito incutido.
Ultimamente o país vem se destacando no meio da ginástica devido ao crescente aperfeiçoamento técnico e ao grande número de competições participado. Até o presente momento os ginastas brasileiros participaram de finais olímpicas por equipes, tanto com seleção feminina quanto a masculina. Considerando – se apenas os atletas de alto rendimento destacam-se os nomes de: Jade Barboza, Daiane dos Santos, campeã do mundo no solo, e Daniele Hipólito, considerada a ginasta mais completa do país.
Até 2011 a ginástica artística brasileira havia conquistado nove medalhas em Mundiais, sendo três de ouro, três de prata e três de bronze, destacando-se as de ouro de Diego Hipólito e Daiane dos Santos, nos exercícios de solo. A primeira medalha Olímpica da modalidade a nível individual foi conquistada por Artur Zanetti, vencedor da prova das argolas, contrariando a todos os prognósticos. Menção honrosa a Sérgio Sasaki, décimo colocado na prova geral individual.
Até aqui a melhor colocação para a ginástica masculina do país. Vale a pena uma observação: a vitória de Zanetti não foi um fato isolado, caso contrário não teria repetido a dose no ano seguinte. Para os incrédulos: em razão desta vitória não por acaso Artur Zanetti é “apenas” campeão olímpico e mundial.
*Apresentando uma performance semelhante à da Olimpíada de Londres, o ginasta brasileiro conquista a medalha de prata na Olimpíada Rio 2016, sendo superado pelo grego Elefptherios Petrounas, campeão mundial no ano anterior, que ficou com a medalha de ouro. Zanetti não perdeu a medalha de ouro; ao contrário, foi o atleta grego quem se superou.
São José dos Campos
Vivendo hoje um processo de plena ascensão, a ginástica artística de alto rendimento de São José dos Campos foi confiada ao professor de educação física e técnico de ginástica feminina Edwar Rasquinha, que está à frente da modalidade desde 1992.
Rasquinha conheceu a ginástica artística na adolescência, através de Paulo Franco de Almeida, treinador do Tênis Clube. A amizade e o incentivo de Almeida levou-o a concretizar um sonho que tivera quando criança: andar par e passo com a ginástica.
A vontade de interagir com a modalidade viera da admiração que tinha pela romena Nádia Comaneci, campeã dos Jogos Olímpicos em Montreal. O fato ocorreu em 1976. A “pequena notável” de 14 anos encantaria o mundo na oportunidade se tornando a única ginasta a ganhar quatro notas 10 de todos os jurados, fato jamais repetido em toda a história das Olimpíadas.
Precursores
São dois os precursores da ginástica artística na cidade: uma jovem professora conhecida por Glorita (não se conseguiu obter o nome completo dela) e Luis Silva Assunção. Ele no SESC, ela no Tênis Clube, no inicio da década de 1980. Em vista disso, poder-se-ia afirmar categoricamente que o Tênis Clube São José dos Campos e Academia Luis Assunção foram o berço da ginástica artística da cidade. Em se tratando de Brasil, em termos de qualidade a honraria fica para São Paulo, que sozinho suplanta o resto do país devido ao fato de ter um maior número de praticantes.
A ginástica artística feminina joseense deve muito aos professores Paulo Franco de Almeida e Ana Lúcia Simão, foram figuras importantíssimas para a modalidade que ainda engatinhava na cidade. Ex- atleta, Paulo se transformaria em excelente técnico na ginástica artística masculina, sendo campeão dos Jogos Regionais, Jogos Abertos do Interior, campeão paulista e brasileiro. Já no ocaso da década de 1980, Ana Lucia, sobrinha de Pedro Yves, era quem levava a delegação para as disputas de Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior.
Com o falecimento desta, Paulo Franco de Almeida assumiu interinamente as categorias feminina e masculina durante pouco mais de dois anos, passando o bastão a Edwar Rasquinha a feminina ficando ele, Almeida, com a masculina. Segundo palavras de Rasquinha, para treinador de alto rendimento a dificuldade maior não está em se conseguir atletas, mas na falta de espaço para desenvolver a modalidade.
Exceções, em se tratando de clubes particulares, Esporte Clube Pinheiros, na capital paulista, Clube Náutico União, em Porto Alegre no Rio Grande do Sul, e Clube de Regatas Flamengo são as entidades particulares que praticam o esporte de alto rendimento no Brasil. Fora isso, todo e qualquer trabalho desenvolvido está centrado em iniciativas públicas, seja através de prefeitura, quer seja por meio de ONGs. Em geral, os treinamentos são realizados em núcleos esportivos cedidos pelas prefeituras locais, porém, esses núcleos carecem de melhor estrutura, pois não são específicos para pratica da ginástica artística.
São José dos Campos tem o Núcleo na Casa do Jovem (Atleta Cidadão), porém, este é restrito quanto à falta de espaço e de tempo. Há ainda outro na região sul; todavia, por serem pequenos estes espaços não comportam uma grande quantidade de participantes, dificultando o aprendizado. Academia Luiz Assunção, Instituto São José e Tênis Clube exercitam a modalidade, mas são entidades particulares e ficam restritos a associados ou aos frequentadores da academia.
Por conta das dificuldades citadas os resultados expressivos só começaram a acontecer a partir de 2010. E só ocorreram devido aos investimentos inseridos em favor da modalidade. Foi após a prática do incentivo a cidade conseguiu colocar a ginástica da cidade dentre os melhores do estado. Antes disso nem de campeonato paulista participava.
Em consequência, um 1º lugar inédito para a região dos Jogos Abertos de 2011 e o bicampeonato nos Jogos da Juventude foi conquistado. Ano passado a cidade disputou quatro campeonatos paulistas e quatros brasileiros. Ainda é pouco. Em se tratando de ginástica feminina, por possuir melhor estrutura Barueri é o adversário a ser batido, seguido de Pinheiros, Guarulhos e São Caetano do Sul.
Em virtude de um problema de estrutura no Tênis Clube as equipes de ginástica artística feminina de alto rendimento passaram a treinar na academia Luíz Assunção. Uma parceria firmada com o Thermas do Vale servirá como divisor de água para a ginástica artística do município. Para tanto foi lançada a pedra fundamental do centro de treinamento que servirá tanto para a ginástica quanto para a artística rítmica.
Destaques
Considerada ginasta de vanguarda para a época, campeã brasileira, Tatiana Sayure Mimura foi uma das primeiras atletas da cidade a se destacar na modalidade. Talita dos Santos Barreto brilhou no ocaso década de 1990, início dos anos 2000.
Campeã dos Jogos Regionais, campeã dos Jogos Abertos do Interior, Jogos Abertos da Juventude, convocada para a equipe juvenil aos Jogos Pan-americanos de Guadalajara no ano passado, atleta em que os treinadores apostam todas as suas fichas atualmente, atende pelo nome de Aline Prestes Ferreira. Além dela, Amanda Paulina de Lima, campeã dos Jogos Abertos ano passado, e Barbara Paulino de Lima campeã paulista, são os destaques da ginástica artística joseense.
Texto atualizado em 25/10/2016, às 10h20min.
Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC
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