Futebol

Modalidades Esportivas

De acordo com as pesquisas, o futebol tem suas primeiras manifestações na China, por volta de 2500 a.C. Segundo informações obtidas, os soldados se divertiam chutando o crânio de seus inimigos decapitados em uma animada disputa. Em contrapartida, outros estudiosos atribuem a invenção do futebol à civilização maia. Divididos em duas coletividades, os times deveriam acertar um aro fixo. A disputa era tão intensa que o líder do time derrotado era punido com a morte.

Uma terceira hipótese sugere que este teria sido praticado em Esparta no século I AC e na região hoje ocupada apela Itália. Na Itália medieval foi criado um jogo denominado “gioco del cálcio”. O campo de jogo era ocupado por 27 jogadores de cada lado e cada equipe deveria conduzir a bola até os dois postes que ficavam nos cantos extremos da praça. A ausência de regras fazia com que a desorganização e a violência se tornassem fatos comuns, o que levou o Rei a decretar uma lei proibindo tal atividade condenando à prisão seus praticantes. Todavia, o jogo não seria abolido, pois integrantes da nobreza criaram um versão de modo a não permitir violência. Nessa versão cerca de doze juízes deveriam fazer cumprir as regras do jogo.

Inglaterra
Finalmente na primeira metade do século XIX a pratica do esporte chega à Inglaterra. O jogo ganha regras diferentes e passa a esquematizado. Organizado seria o termo mais adequando para naquele momento. O campo deveria medir 120X180 metros. Nas duas extremidades seriam instalados dois arcos retangulares chamados de gol. A bola era de couro e enchida com ar. Elitizado, o futebol privilegia os filhos da nobreza inglesa a ponto de se popularizar. Em 1848 acontece uma conferência em Cambridge, onde é estabelecido um único código de regras para o futebol. Em 1871 é criada a figura do goal-keeper (goleiro, guarda-valas ou guarda-redes, em português), responsável por evitar o gol, e único jogador a poder tocar a bola com as mãos.

O profissionalismo no futebol é instituído em 1875, e com ele a determinação da regra que estabelece 90 minutos para o tempo de jogo. Em 1886 nasce a Internacional Board, entidade responsável pela criação e mudanças nas regras do futebol. A chamada “lei do impedimento” passaria a ser executada a partir de 1907.

Antes, em 1897, uma equipe de futebol chamada Corinthians Casuals fez uma excursão fora da Europa, contribuindo definitivamente para a divulgação do esporte em diversas partes do mundo. Em 1888 é fundada a Football League, entidade responsável pela organização de competições internacionais.

No Brasil
Nascido no bairro paulistano do Brás, filho de família de classe média, Charles Miller viajou para Inglaterra aos nove anos de idade para estudar. Aos vinte ele retorna à terra natal trazendo na bagagem um livro e duas bolas de futebol. A primeira partida de futebol no Brasil ocorreu em 15 de abril de 1895, entre funcionários de empresas inglesas que atuavam em São Paulo. Companhia de Gás X Cia Ferroviária São Paulo Railway.

Comemora-se em 19 de julho o Dia Nacional do Futebol. A data foi instituída pela antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em homenagem ao time mais antigo do Brasil. O Sport Club Rio Grande, da cidade de Rio Grande (RS), foi fundado em 19 de julho de 1900.

Único país a participar de todas as Copas, Pentacampeão mundial, campeão Sul Americano, chamado de “País do Futebol” o Brasil é considerado a principal potência da modalidade no mundo. Aqui nasceu Pelé, o maior jogador de todos os tempos, eleito Atleta do Século. Entre uma infinidade de grandes jogadores, Frieddenrichie, Leônidas, Zizinho, Didi, Garrincha, Ademir da Guia, Gerson, Rivelino, Tostão, Romário, Zico, Ronaldo perpetuaram seus nomes na história do futebol do país.

São José dos Campos
Até onde se tem noticia, a biografia do futebol de São José dos Campos começa a ser descrita após a fundação do São José Futebol Clube nascido em 1913, posteriormente (re) batizado Associação Esportiva São José. A “Vermelhinha”, como era carinhosamente conhecida, foi durante alguns anos o principal representante do futebol central da cidade. Mas nem só de Associação Esportiva São José sobreviveu o futebol joseense. No ano de fundação da “vermelhinha”, mais precisamente no dia 10/10/1913, nascia a Associação Atlética Santana do Parahyba, oriunda do bairro de Santana, próspero bairro da Zona Norte. Acerca de eventuais embates entre estas agremiações, a história não registra nada fatos que mereça qualquer citação.

A história do futebol joseense começa a ser modificada devido à dissidência de alguns integrantes da Associação, que descontentes por não terem um pedido atendido decidem fundar outro grêmio: o Esporte Clube São José. Nascia assim uma grande rivalidade. Em vista disso Associação x Esporte se transformaria em o maior clássico futebolístico da cidade. Tal competitividade termina no dia em que a primeira decidiu extinguir o departamento de futebol. Quanto ao São José, este continuou sua saga, tornando-se a grande paixão do torcedor joseense.

Além deste, outras agremiações foram criadas, fazendo com que surgisse uma “regionalização” do futebol na cidade, e com ela a criação da LJF (Liga Joseense de Futebol), motivo mais que suficiente para a criação de outras associações esportivas na adjacência: Municipal, Esperança, Estudantes, Expressa Vieira, Santo Eugênio, São João, Avenida, São José Futebol Club...

A criação dessa Liga- de cuja diretoria não se encontra registros- contribuiu para que os ânimos entre cidade alta x cidade baixa fossem acirrados. Detalhe: conforme atesta as páginas do TCC: “A Cidade, o Futebol e o Trabalho: Memórias do “Futebol de Fábrica” São José dos Campos 1920/2010”, da historiadora Zuleika Stefânia Sabino Roque, oficialmente, registros que atestem a existência da LJF não foram encontrados nem no Arquivo Público Municipal nem na Federação Paulista de Futebol.

Embora não se admitisse abertamente, havia um clima de animosidade entre representantes das duas regiões, que como numa queda de braço, usavam o futebol como meio de suplantar os desafetos, razão plenamente justificável para a existência simultânea da Comissão Municipal de Esportes, representado por pessoas da “cidade de cima”, e Liga Joseense de Futebol, constituído por integrantes da “cidade de baixo”. Tamanha rivalidade levou à criação de uma competição pontual entre as duas regiões, denominado Clássico SA-CI (Santana x Cidade). A taça em disputa encontra-se exposto no Museu de Esportes de São José dos Campos. Destarte que, em que pese o fanatismo e à importância do torcedor brasileiro nos dias atuais, não é de mais observar que o futebol não gozava de grande prestígio na casta considerada intelectual da sociedade.

Noticia do Correio Joseense 22/12/1940: Nota oficial da “Diretoria de Esportes de São Paulo” baixa portaria estabelecendo oficial e obrigatoriamente que federações, ligas e associações esportivas não poderiam promover competições de “atividades terrestres” de amadores entre os as férias esportivas entre os meses de dezembro e janeiro. Acrescenta a nota: Está ao alcance dos menos instruídos o fato de que na presente época do ano exercícios como o futebol só pode causar danos aos que cultivam e até mesmo aos que simplesmente assistem, enquanto que a natação e o polo aquático constituem uma aplicação esportiva das mais salutares.

Continua a nota: Infelizmente, porém, proveitosa ação do governo só podem alcançar entidades organizadas como clubes e federações, e isto mesmo do ponto de vista das competições de caráter público. Por isso, pois, cumpre que os particulares também sigam o exemplo, em boa hora estabelecida pelos poderes públicos, abstendo-se agora de praticar esportes terrestres, para dedicar-se aos aquáticos, dentre os quais a natação tem o primeiro lugar, de tão grande importância que os romanos, para indicar um homem totalmente ignorante, diziam que ele não sabia ler nem nadar”.

Tudo teria começado devido a uma Lei de Zoneamento datada de 1938 que promove a reorganização da cartografia do espaço urbano da cidade, dividindo-a em: zona industrial, residencial, senatorial e comercial. Coube à região central a concentração das atividades residencial, senatorial e comercial, ficando Santana com a industrial. O declive da Rua Rui Barbosa servia de elo principal entre cidade de cima e cidade de baixo, nomenclaturas usadas para identificar aas duas regiões.

Representante oficial do Estado, comandada por esportistas da cidade de cima a CME em São José dos Campos, tinha como membros: Alfredo Terra, Dr. Domingos Campoy, Capitão Rui Quirino Simões, Danilo Monteiro, Linneu de Moura, Antônio Teixeira Fernandes, Agenor Fonseca. Dirigentes e simpatizantes dos clubes de Santana, Zé Baruel da Rosa, Nicolau Assis, Geraldo Moacyr Marcondes Cabral, Walter Becker, Gato, lutavam por interesses da “cidade de baixo”.

Politicas à parte, o futebol de São José dos Campos começou a mudar no momento em que descontente com as decisões tomadas pela Comissão Municipal de Esportes, não necessariamente nesta ordem O Vale paraibano e Correio Joseense passaram a criticá-la.

Liderados por Ildefonso José da Costa, diretores da Cerâmica Weiss, Cerâmica Becker, São Paulo, Rhodosá Atlético Clube, AA Santana do Parayba decidiram aproveitar a oportunidade que se apresentava para fundar a Liga Municipal de Futebol de São José dos Campos, registrada na Federação Paulista de Futebol no dia 9/5/1955.

Para que tal acontecesse, valendo-se da amizade com dirigente da Liga de São Bernardo do Campo, Costa copiou o regulamento desta instituição, tomando o cuidado de não citar o nome da nova entidade como se fosse de Santana do Paraíba, mas sim de São José dos Campos. Não sem antes contar com as orientações do senhor Júlio Fontauze, tesoureiro da Federação Paulista de Futebol. Quando a noticia vazou, dirigentes da cidade de cima viajaram a São Paulo a fim de registrar uma Liga de futebol com o nome da cidade. Tarde demais...

Procederam a Ildefonso José da Costa, na presidência da Liga Municipal de Futebol de São José dos Campos: José Sierra, Everardo Santana, Osvaldo Gil, Celso Paiotti, Cirineu Sales, Dirceu Plenamente, Isaias de Moraes, Américo Soares, Amauri Delfino, José Carlos Silva...

Com o decorrer do tempo, as más administrações reinantes levaram a instituição joseense a inadimplência e a desfiliação junto à Federação Paulista de Futebol. Em razão dos fatos as associações campeãs não puderam representá-las no campeonato amador do estado, organizado pela entidade máter do futebol paulista.

Aparada as arestas já na metade dos anos 1990 a Liga volta a funcionar. Todavia, inconformado com o rumo tomado pela atual administração Jorge Henrique de Oliveira e Ademir Coiasso, presidentes de AA Santana do Paraíba, e EC Social Econômico, optam pela dissidência, convencendo os principais afiliados a lutar por seus direitos.

A partir de então o futebol de São José dos Campos passaria a contar com duas “ligas”: Liga Municipal de Futebol de São José dos Campos, representante oficial da cidade junto à Federação, e Associação de Clubes Amadores de Futebol, esta reputada como proscrita. Fizeram parte dela, entre outros: Corinthians, Real Vale do Sol, Santa Rita, Eugênio de Melo, Jardim Jussara, Novo Horizonte, nascia a ACAF (Associação de Clubes Amadores de Futebol). Passado algum tempo algumas equipes voltaram a participar do campeonato realizado pela Liga Municipal.

De acordo com o relato do historiador, jornalista, radialista e escritor Alberto Simões, no período definido por ele como “Pré-Liga", que remonta ente 1939 e 1954, São José dos Campos produziu os seguintes campeões: Santana (1930-1940), AESJ (1941-1945), Ford FC ((1951), Clube Atlético Paraíba (1952), ITA (1953), Cerâmica Weiss (1954)).

Pós-Liga: Campeões Pós-Liga: AESJ (1956 - 1957-1958)- Rhodosá AC (1959-1960)- Corinthians FC (1961-1970-1972-1983)- Johnson Clube (1962-1963-1964-1966)-Clube do CTA (1965-1967-1968-1969)- EC Eaton (1971)- Curitiba FC (1973)- Benfica FC (1973-1974)- Ericsson Clube (1976)- ADC Rhodia (1977-1978-1981)- ADC GM (1979)- Estrela do Mar/Savema (1982-1994)- Frigorifico FC (1984-1985-1986)- CA Atlético Mineiro (1987-2011) EC Jardim das Indústrias (1988)- EC Santa Rita (1989-1990-1992)- GE Jardim Jussara (1991-1993-1997)- Vasco da Gama FC (1995)- Real Vale do Sol FC (1996-) Social Econômico (1998-2001)- EC Jardim Ismênia (1999)- AA Santana do Paraíba (2000)- União Independente (2003)- Lírio do Campo (2005)- EC Bandeirante (2006)- Palestra FC (2007)- Atlético Morumbi (2008)- União Joseense FC (2009)- AD Paraíba (2010).

No regime profissional, Primeira Camisa, do ex-jogador Roque Júnior, e São José dos Campos Futebol Clube (ex- Clube Atlético Joseense) fundado por Paulo Davoli continuam a representar a cidade. Antes desses, Rodhosá (ou Rhodia), Corinthians de Jardim Paulista e Grêmio Olímpico de Futebol Santanense já tentaram firmar pé no futebol remunerado.

Em relação a acontecimentos importantes para o futebol profissional da cidade, poder-se-ia destacar os títulos da Terceira Divisão em 1964 e o da Segunda Divisão em 1972 (não houve o Acesso para a divisão posterior naquele ano) ganhos pelo então São José Esporte Clube; a conquista do Campeonato Paulista da Segunda Divisão em 1980, título mais significativo e que possibilitou ao time do Vale do Paraíba ser reconhecido em nível nacional. O galardão maior do futebol paulista esteve por ser conquistado em 1989, entretanto, embora tenha praticado desempenho das mais elogiáveis o time esbarrou na maior experiência e tradição do São Paulo Futebol Clube, campeão naquele ano.

Embora muita gente ainda não tenha se dado conta, pela tradição que ostenta no cenário esportivo vale paraibano, pela quantidade de associações existentes e até pela qualidade dos atletas revelados São José dos Campos pode ser considerado - sem que para isso seja necessário incorrer a qualquer tipo de exagero - um dos principais “exportadores” de futebolistas no país.

Entre tantos atletas revelados poderíamos citar: Édio e Silvio de Paula, no ocaso dos anos cinquenta; Fidélis, Claudinei, Teodoro, Lourival, Ferreti, Tininho, Baiano, Sérgio, Leão, Golê, Carlos Alberto, Ditão (o Assis, que mais tarde faria dupla de ataque com Washington no Fluminense), Maville, entre o inicio da década de 1960 e metade dos anos setenta; Márcio, Cris, Luciano, Roque Junior, Silva, Marcus Vinicius, Guaru, Chumbinho e mais recentemente Juninho, Mauricio, Everton, Casemiro e Ricardo Goulart.

Atleta desconhecido do torcedor joseense, revelado nos jogos interescolares de futebol de salão promovidos pela Secretaria de Esportes de São José dos Campos, menino ainda Paulinho deixou São José dos Campos para atuar na Suíça. Importante salientar que a maioria saiu dos campos de várzea de terra batida da periferia. Mas o futebol joseense não se limita a “apenas” isto, em razão de sua importância, algumas centenas de páginas seriam pouco para descrevê-la.

Informações acerca do futebol amador relacionados ao litígio entre região central e Santana, assim como a fundação da Liga Municipal de São José dos Campos foram extraídas do trabalho de TCC intitulado: “A cidade, o futebol e o trabalho: Memorias do futebol de fábrica” São José dos Campos 1920/2010, realizado pela historiadora Zuleika Stefânia Sabino Roque.


Futebol Feminino
Segundo o Resumo de “A história do futebol feminino na cidade do Rio de Janeiro”, trabalho final de Curso de Especialização em futebol – EEFD/UFJR – 1991, escrito por Andréa Karl Fernandes, o primeiro envolvimento das mulheres com o futebol teria ocorrido no século XII. As mulheres francesas teriam criado o “Futebol do Povo” ou “Jogos da Multidão”. À época, as mulheres francesas lutavam por uma bola de couro com fitas, num jogo chamado La Soul.

Em 1746 em Coulevan, Escócia, mulheres solteiras enfrentavam as casadas numa primitiva partida de futebol. Ainda segundo o relato, as regras foram padronizadas em 1863, tornando a violência ilegal, propiciando maior “leveza” àquela atividade. O advento da bicicleta serviu para impulsionar o envolvimento feminino no esporte, pois exigia que as mulheres usassem vestimentas menos restritiva, propiciando mais leveza nos movimentos.

Coube à londrina Net Rolibol, em 1894, a fundação da primeira equipe feminina de futebol no mundo. Cerca de dez mil pessoas assistiram à partida de inauguração da equipe “Senhoras Britânicas”. É criada no a equipe “Society Angels, em Edmont, no Canadá”. Em 1910 também as mulheres francesas aderiram à modalidade. Rouge Esportiva e Femina Esportes de Paris protagonizaram a primeira partida entre seleções no país.

No mesmo ano, em Boutson Park, sede do Everton Football Club, 53 mil pessoas compareceram para assistir a partida do Dick Kerr Ladies F C, em benefício de obras de caridade. Perto de 70 mil libras foi o que a Dick Kerr Ladies conseguiu arrecadar. Teria sido maior a quantia se por falta de maior espaço no ginásio, cerca de dez mil pessoas deixaram de assistir ao jogo.

Numa atitude eminentemente machista a Associação Inglesa de Futebol, exclusivamente masculina, decide “travar” a pratica do futebol entre mulheres criando uma proibição aos clubes, não mais permitindo que equipes femininas usassem seus campos, em 1921. Surpreendentemente, cinquenta anos durou a proibição.

Imitando o que ocorria na Inglaterra também a Federação Francesa decidiu impedir a pratica do futebol feminino, todavia, as mulheres continuaram jogando, angariando fundos para associações de caridade onde fosse possível. O que não impediu de sofrer um declínio. Em 1950 o futebol feminino começa a se reerguer, através da Alemanha, Dinamarca, Itália e Tcheco-eslováquia, que passaram a praticar a modalidade nas escolas.

A guisa de experiência, a 1ª Copa do Mundo (não oficial, porquanto, não tinha o reconhecimento da FIFA) foi realizada no México em 1971, sendo a equipe anfitriã derrotada por 3x0 pela Dinamarca na partida final. Um público de 100.000 pessoas assistiu ao jogo final. O 1º Torneio Mundial de Futebol Feminino apoiado pela FIFA viria ser realizado na China em 1988, com a participação de 12 países, inclusive o Brasil. O evento serviu de preparação ao Iº Campeonato Mundial de Futebol Feminino que seria realizado na cidade de Punyu, também na China em 1991.

Brasil
Até onde se sabe a primeira transmissão televisiva ao vivo de uma partida de futebol feminino ocorreu no início da década de 1960, através da antiga TV Paulista (atual Rede Globo) em competição realizada entre vedetes de Brasil, Argentina e Paraguai. O “selecionado” brasileiro contou, entre outras, com as participações de Célia Coutinho (protagonista de um programa da emissora, chamado Miss Campeonato) e Marli Marlei, uma das vedetes de maior prestígio àquela época.

A televisão não tinha a força que hoje tem, por isso, a ideia de se promover o futebol feminino acabou não vingando. Por ser executado com os pés, segundo o entendimento da época, “futebol era coisa pra homem”. Em razão desse raciocínio a pratica do futebol entre mulheres acabou sendo oficialmente proibida pela então legislação do país.

A revogação da lei proibitiva ocorrida em 1979 propiciou o surgimento de várias equipes femininas pais afora. O caso de maior sucesso aconteceu no estado do Rio de Janeiro, através de Eurico Lira, empresário e presidente do Esporte Clube Radar, que implantou no clube o departamento de futebol feminino em 1981. A ideia surgiu devido às “peladas” – termo usado para a disputa de jogos não oficiais – realizada na praia.

Coube ao Radar à primazia da conquista do I Campeonato Estadual de Futebol Feminino do estado do Rio de Janeiro e a I Taça Brasil de Futebol Feminino da CBF em 1983, ambos no Rio de Janeiro. Hexa campeão carioca: 1983-1984-1985 – 1986 – 1987 – 1988; hexa campeão da Taça do Brasil: 1983 - 1984 - 1985 - 1986 – 1987 – 1988; Campeão Brasileiro de Clubes em 1989, o clube carioca foi o maior colecionador de títulos no Brasil. Exatos 71 jogos disputou o Esporte Clube Radar entre 1981 e 1989, com 66 vitórias, três empates e duas derrotas.

Pioneiro na modalidade, sendo ele a melhor equipe se apresentar no território brasileiro, o Radar ganharia projeção internacional ao conquistar o título da Women’s Cup of Spain em 1982 derrotando seleções como França, Espanha e Portugal. Coube ao clube do Rio de Janeiro representar o futebol brasileiro no Campeonato Mundial de Futebol Feminino em 1982. Entretanto, a falta de interesse do público e até da própria imprensa acabou desmotivando os dirigentes, que deixaram de organizar competições femininas pelo país, obrigando os clubes a fechar suas portas. O Esporte Clube Radar foi um deles.

Oficiosamente, o futebol feminino começou a ser praticado na cidade de São José dos Campos no inicio da década de 1982, mais precisamente em Santana, através de Selma Profício, que convencida pelas meninas que frequentemente jogavam “peladas” nas calçadas do bairro, resolveu formar um time de futebol.

A primeira equipe feminina da região do Vale do Paraíba atendia pelo sugestivo nome de “Raios de Sol”. De inicio Selma optou pela prática do futsal, por ser um esporte que começava a cair nas graças da galera e por agregar menos jogadoras. Em razão da falta de adversárias a treinadora foi obrigada a criar uma “filial”. O que torna o fato mais importante: ao “abraçar a causa” Selma, aos 42 anos, não abriu mão de seu principal “ofício”: ser esposa, mãe, dona de casa... Tal esforço não passou despercebido de Profício, irmão de Selma e diretor da Tecelagem Parayba, Zezinho Friggi, Rede Globo, jornal O Vale paraibano e Rádio Clube, que de uma forma ou de outra a ajudaram realizar e difundir um trabalho até então desconhecido por esportistas da região.

Devido ao progresso alcançado, tanto em qualidade quanto em quantidade de praticantes, o grupo começou a treinar em Vila Rossi, “no campo do seu Amâncio”. Assim, futebol de campo e futsal passou a ser praticados paralelamente. Era apenas o começo, pois pouco tempo depois as meninas foram convidadas a treinar no palco de jogo da AD Parayba. Disputando competições de futebol de futsal e futebol de campo paralelamente, as comandadas de Selma tinham como principais adversárias na região o Tebar de São Sebastião no futsal e a fortíssima equipe do Senat no futebol de campo e futsal, contra quem disputou homéricos combates.

A visibilidade alcançada pelo time de Santana ajudou na fundação de mais 21 equipes de futebol feminino na região. Transpondo obstáculos, lutando contra todo tipo de preconceitos, conquistando títulos, as meninas foram conquistando espaços. Dentre os mais importantes do Raios de Sol estão a conquista da Copa do Vale e Copa Vale-paraibana em 1987, disputada pelas principais equipes do futebol feminino da região.

Tudo era feito na base do sacrifício. Nada que tirasse o foco das meninas. Ainda que não faltasse incentivo o futebol feminino ressentia-se da falta de patrocínio. Pão com mortadela acompanhado de tubaína era o cardápio da delegação. Em 1990 o Raios de Sol contava com as seguintes jogadoras em seu elenco: Rita, Meire, Solange, Valéria, Cristina, Norma, Lena, Eliana, Luciana, Rose, Cistina Piorini, Alessandra, Marilu, Aninha e Chica.

Secretaria de Esportes de Lazer/São José
Tendo Selma Profício como treinadora o São José Espore Clube, passa a ser o representante oficial do futebol feminino no município. O campeonato paulista de 1991 vencido pelo clube ajuda a goleira Meire a ser convocada para os treinamentos da Seleção Brasileira que disputaria o Campeonato Mundial naquele ano. O time base do São José tinha a seguinte formação: Meire, Lídia, Alessandra, Monica e Ana. Luciana, Cristina Piorini e Valéria. Rosangela, Solange e Rosinha. Meire, Solange e Valéria eram os destaques da equipe. Sobre Solange, a treinadora dizia ser esta excelente jogadora; sempre preterida pela comissão técnica da CBF, que não a convocava, porque, segundo eles (opinião não compactuada pela treinadora) a jogadora tinha o hábito de a cada marcação contraria insurgir-se contra a arbitragem.

O projeto “decolou” de vez quando a Secretaria de Esportes de São José dos Campos, subsidiada pela Prefeitura, decidiu encampar de vez um trabalho com atletas com idade entre 15 e 18 anos, chamado Atleta Cidadão. Tal projeto teve o seu início em 1988, quando o futebol da cidade iniciou participação nos Jogos Regionais tendo à frente o professor Almeida, que chegava a São José dos Campos. Neste meio tempo o futebol feminino viveu o que se poderia chamar de período de aprendizado. Com a saída de Almeida o bastão foi passado para Zé da Ilha e deste para o empresário Sebastião do Senat, que já mantivera um time de futebol feminino na cidade.

São José Futebol Feminino
A década de 2010 serviu para colocar definitivamente na berlinda o nome do futebol feminino de São José dos Campos. Nomes como de os Louise, Cristininha, Natália, Layla, Luana, Milena, Bagé, Formiga, Geovânia, Danielle, Priscilinha, Poliana passaram a ser cantado em verso e prosa pelo torcedor joseense. Os títulos de Bicampeão Paulista, Bicampeão da Copa do Brasil, Tricampeão da Taça Libertadoras da América não deixam dúvidas quanto a quem pratica atualmente o melhor futebol feminino do Continente.

O trabalho timidamente iniciado na longínqua década de 1980 ganhou continuidade com Marcio de Oliveira, ex-árbitro de futebol da Federação Paulista de Futebol, radicado no futebol feminino a partir de 2003. Após vencer nove Jogos Regionais, dois Paulistas, uma Libertadora e uma Copa do Brasil o treinador é convidado a servir a Seleção Brasileira de Futebol Feminino. Com a convocação Márcio de Oliveira e sua comissão técnica realizam um trabalho simultâneo na seleção brasileira e São José Esporte Clube. Um ano e oito meses depois, o treinador e sua comissão técnica deixa de servir a seleção e volta a desenvolver trabalho apenas no clube da cidade.

Vice-campeão: O São José Feminino disputou as finais da Copa do Brasil de 2014 empatando com a Associação Ferroviária de Esportes Atléticos, de Araraquara (0x1 e 1x0), sendo derrotado por 5x4 nos tiros livres diretos, popularmente conhecidos como penalidade máxima.

Libertadoras da América: São José Tricampeão

Data: 15/11/2014. Jogando diante de sua torcida, no Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, o São José Feminino levou de vencida a equipe do Caracas, da Venezuela pelo placar de 5x1, conquistando o título da Copa Libertadoras da América. Com este resultado São José ultrapassa a equipe do Santos Futebol Clube, bicampeã da competição.

Campeão do Mundo

O Dia seis (06) de dezembro de 2014 ficará indelével na memória esportiva de São José dos Campos. Confirmando a expectativa criada em torno da equipe em razão da conquista do tricampeonato da Copa Libertadoras da América, o São José Esporte Clube conquistou o inédito título de Campeã Mundial de Futebol Feminino, ao vencer o Arsenal Ladies da Inglaterra, por 2x0. Na semifinal a equipe comandada por Adilson Galdino já houvera derrotado as japonesas do Urawa Reds, do Japão, por 1x0. Ao contrário da Taça Libertadoras da América, que é transitória, a vencedora da Nestlé Coup Internacional a terá em definitivo.

Delegação: Coordenador Administrativo: Gustavo Assad; técnico: Adilson Galdino; auxiliar-técnico: Paulo Cezar; coordenadora: Fabiana Rossetti; preparadora de goleira: Fernanda; preparador-físico: Itamar Lisboa fisioterapeuta:;Rodrigo Moraes;: mordomo: Luís Carlos; jogadoras: Andréa , Letícia Izidoro, Bagé, Edna Baiana, Bruna Benites, Rosana, Andressa Alves, Poliana, Gislaine, Fran, Michele Carioca, Giovânia, Debinha, Formiga, Letícia Oliveira, Rita Bove e Fabiana.

Texto atualizado em 27/10/2016, às 8h27min.

Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC

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