Não se sabe ao certo a origem do jogo de Damas, mas há registros arqueológicos de práticas muito semelhantes à modalidade no Egito e em outras partes do mundo na Antiguidade. No Brasil, a primeira referência data da transferência da corte portuguesa para o país, em 1808, quando D. João VI trouxe a primeira obra escrita sobre a matéria: “Libro del Juego de las damas”, publicado na Espanha, em 1650.
Apesar de ocorrerem disputas anteriores, os primeiros torneios no país começaram a ser organizados em 1935, no Rio de Janeiro, com a participação decisiva de Geraldino Isidoro da Silva, que publicou os dois primeiros livros sobre damas no Brasil. A atividade sofreu um duro golpe em 1967, quando João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), desfiliou este esporte da entidade. O jogo de Damas só voltou a ser considerado esporte em 1988.
As competições podem ser disputadas em tabuleiros de 64, com 12 pedras de cada lado, ou 100 casas, com 20 pedras para cada participante. O objetivo é capturar as pedras do adversário, utilizando para isso movimentos diagonais.
O Jogo de Damas passou a fazer parte das modalidades praticadas por São José dos Campos em Jogos Regionais ou Jogos Abertos do Interior a partir de 1991, quando representou a cidade nos 55º Jogos Abertos do Interior em Americana. Nos Jogos Regionais, a equipe, que conquistaria a medalha de prata já na primeira disputa, tinha a seguinte constituição: Atletas: Djair dos Santos, Mario dos Santos, Valquir Silva de Moraes, João de Deus Oliveira Carvalho, Cesar Renato de Sousa. Técnico: Valquir Silva de Moraes; assessor técnico, Miguel Rodrigues dos Santos.
Nos Jogos Abertos do Interior ocorrido em Presidente Prudente a equipe tinha os seguintes atletas a representá-la: Valquir Silva de Moraes, Mario José dos Santos, Cesar Renato de Sousa, Djair dos Santos, Aristóteles da Conceição Almeida de Farias. João de Deus de Oliveira Carvalho e Oziel Sousa de Carvalho assumiram respectivamente as condições de treinador e assessor técnico.
Tal como em outros esportes, o Jogo de Damas é dividido em categorias, respeitando-se o limite de idade para cada uma delas, exceto a adulta, que pode ser disputada por atletas acima de 21 anos. Divide – se em masculino e misto, disputada por ambos os sexos. Em Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior, há casos em que atletas de alto rendimento até em nível internacional são contratados para defender as cidades. Como exemplo poder-se-ia citar Santos, Piracicaba, São Caetano, São Bernardo, Rio Preto, Santo André e Mogi das Cruzes. O que não tem impedido São José dos Campos de subir ao pódio:
Em que pese a categoria dos adversários, a equipe joseense conseguiu o 3º lugar nos Jogos de Mogi das Cruzes em 2013 e Bauru em 2014. Não bastasse isso a cidade conquistou o tricampeonato dos Jogos Regionais em 2015.
Veterano do tabuleiro, praticante desde os anos sessenta, Mario José dos Santos defende a cidade em Jogos Abertos e Jogos Regionais desde os anos de 1990. Há dez anos à frente da modalidade juntos à Secretaria de Esportes, ele não hesita em afirmar que em se tratando de Damas, São José dos Campos, circula entre os seis primeiros do estado. Sob sua coordenação a equipe conquistou quatro medalhas de ouro, quatro de prata e duas de bronze tanto nos Jogos Regionais, quanto nos Jogos Abertos do Interior, e 4 de ouro, 4 de prata e 2 de bronze nos Jogos Abertos da Juventude, cuja faixa etária se limita a 21 anos.
Visto de maneira lúdica o Jogo de Damas pode ser considerada uma simples brincadeira, entretanto, quando inserido em competições oficiais se transforma em “briga de cachorro grande” tal a importância que se dá a ele. O Jogo de Damas requer um estudo minucioso acerca do adversário, aliado a uma alta dose de concentração. Tal qual acontece em outros esportes - geralmente qualificado de alto rendimento – em alguns casos é necessário estudar a teoria do jogo, repassar campeonatos. Os “grandes mestres” deste esporte tem como habito filmar lances dos adversários. Não por acaso o “Pelé” desse esporte fala idioma russo. Em São José dos Campos, os melhores “damistas” são: Leandro Bezerra, Genaldo Gonzaga, Juraci Belarmino, Israel Miranda, Jefferson Bezerra e Carina Assunção.
Para que o Jogo de Damas se torne mais atrativo é necessário um trabalho de massificação nos colégios – é seu Mario quem diz – como é feito em Cuba, onde especialistas da modalidade pudessem ensinar o esporte. Uma saída seria a organização de campeonatos, com participação de jogadores conhecidos. A outra seria, a repetição de competições onde os melhores jogadores do país estivessem presentes, como aconteceu nos anos 80, com participação de atletas de São Paulo e até do Rio de Janeiro. Sugestões já foram enviadas à Secretaria.
Texto atualizado em 04/02/2013, às 9h20min.
Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC
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