Capoeira

Modalidades Esportivas

Como se sabe, a capoeira é uma expressão cultural genuinamente nacional desenvolvida por escravos brasileiros descendentes de africanos, que privados do direito de gerir sua própria vida instituíram a modalidade como meio de lutar pela liberdade. Tal pratica acontecia nas horas de descanso, dentro das senzalas no interior dos canaviais. Os escravos chamavam de capoeira a vegetação existente no interior dessas senzalas. A fim de não dar pista sobre o tipo de luta que criaram, diziam ao feitor – cuja “inocência” o levava a pensar ser aquilo uma dança - que iam brincar na capoeira.

Dependendo das circunstâncias, a capoeira poderá ganhar várias interpretações. Pode ser dança, pode ser folclore, pode ser brincadeira. Se realizada com criança entra de maneira lúdica, como brincadeira; se realizada com lutadores formados e Mestres de capoeira entra como luta; se apresentada numa escola entra como jogo. A capoeira nada mais é que uma “linguagem corporal”, onde se pergunta e se responde com o corpo, através de movimentos concatenados.

Existem dois tipos de capoeira: A capoeira Angolana e a Capoeira Regional Baiana, criada por Manoel dos Reis Machado o Mestre Bimba, mais técnica e mais livre, onde os movimentos acontecem sem que seja preciso tocar o adversário. Grosso modo, é mais um “jogo de cena” quando disputado como exibição. Na prática há uma mistura de luta e bailado, simulando golpes com os pés, ao som de atabaques, pandeiros e berimbaus. Já a capoeira angolana tem como característica o contato físico, principalmente as realizadas em rodas de rua.

Por conta desse detalhe era marginalizada pelas autoridades, sofrendo inclusive, perseguições policiais, principalmente no Rio de Janeiro, que era sede do Governo e capital da República. Pronunciado explicitamente, capoeira era sinônimo de vadiagem. Logo após a Proclamação da República ocorrida em 1888, é assinado o Decreto 847, intitulado “dos vadios e capoeiras”, sugerindo uma vigilância acirrada aos praticantes desta modalidade. Hoje a capoeira é reconhecida como Patrimônio Cultural brasileiro, existindo leis que a protegem e a valorizam.

Similar ao que acontece no judô, que apresenta suas cores características, também a capoeira apresenta suas peculiaridades: o cordel de cor verde recebido no batismo simboliza o primeiro estágio vivido pelo praticante. Seguem-se o amarelo, o azul, o, o verde/amarelo, verde/azul, amarelo/azul, verde, amarelo, azul.

Há ainda os cordéis: branco/amarelo, (mestre); verde/branco (monitor), amarelo/branco (professor), azul/branco (contramestre), branco/bronze (mestre aspirante), branco/prata (mestre efetivo), branco/ouro (mestre de honra), ouro (mestrissimo).

A capoeira tem como característica a não violência. A primeira atitude de um Mestre de Capoeira é pregar a humildade acima de tudo. Recuar se preciso for, pois como dizia o *Mestre Bimba, pioneiro em academias de capoeira no Brasil: “se brigar é bom, não brigar é melhor ainda”. Seguindo este preceito os responsáveis por difundir o esporte têm realizado inestimáveis serviços em prol das comunidades.

Até onde se tem noticia, no Brasil, a capoeira passou a ser reconhecida em 1934, após Mestre Bimba ter aberto a primeira academia da modalidade na Bahia.

A capoeira, cuja nomenclatura oficial é Capoeira Regional, surgiu em São José dos Campos no inicio dos anos setenta, mais precisamente em 1971, trazidos pelo Tenente Esdras Magalhães o Mestre Damião, que através de Esdras Filho fora apresentado a Everaldo Bispo de Souza, o Mestre Lobão. Juntos fundaram a Academia Besouro Mangangá, uma das mais importantes academias de capoeira do Vale do Paraíba, à época situada na Rua Paraibuna, nas dependências do CTA.

Antes é necessário que se faça uma observação: a ideia de se fazer uma apresentação de Capoeira na cidade começou a nascer em julho de 1967, por inspiração do Tenente Esdras Magalhaes dos Santos, que servia no CTA (Centro Técnico Aeroespacial). Capoeirista desde 1947 o Tenente Esdras (que na capoeira recebia o nome de Mestre Damião) sugeriu ao então Brigadeiro do Ar, Paulo Victor da Silva, com quem trabalhava a inclusão da Capoeira na Semana da Asa que se aproximava. Solicito quanto à divulgação das tradições regionais este acatou prontamente a sugestão.

Páginas 25/26 do livro CONVERSANDO SOBRE CAPOEIRA... “(...) Destarte, durante a Semana da Asa de 1968, às 20 horas, o Mestre Reinaldo Ramos Suassuna e seus alunos, com o Ginásio de Esportes do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) completamente lotado deslumbrou uma assistência composta de pessoal da organização militar e da cidade de São José dos Campos, que pela primeira vez, na sua maioria, via a nossa Capoeira – a Luta Regional. O resultado foi deslumbrante. A ginga, os golpes rápidos, os saltos e negaças felinos, acompanhados pelos sons de berimbaus, pandeiros e atabaques, bem como dos cânticos de um coro bem afinado deixou o público maravilhado... Os comentários sempre seguidos de referências elogiosas prolongaram-se por toda uma semana no recinto do CTA e na cidade de São José dos Campos”.

Seguiram-se aos primeiros: Mestre Tinta Forte, Mestre Al Capone, Mestre Vital, Mestre Paulo dos Anjos, Mestre Bala, Mestre Teófilo, Mestre Saruê, Mestre Alex, Mestre Papagaio. Cada um à sua maneira tem dado importante contribuição para o desenvolvimento do esporte na cidade.

A popularidade do novo esporte o levaria a ser praticado em espaços públicos como o Teatro de Arena, localizado na Praça Afonso Pena. Posteriormente, espaços antes dedicados a outras modalidades foram abertos também à Capoeira: Tênis Clube, SESC, Associações Desportivas Classistas como GM, INPE, EMBRAER, além de escolas públicas e particulares. A seriedade com que é tratada e o trabalho desenvolvido ao longo dos anos levaram a Capoeira de São José dos Campos e ser respeitada e motivo de referencia em vários pontos do Brasil. Lei Estadual 2851/1984 reconheceu-a assim como o Maculelê e a Puxada de Rede, manifestações culturais de grande relevância para o país. A Capoeira faz parte do calendário oficial de festas do Município, através da Lei Municipal 8634 e 8648/2011.

Não existe uma idade padrão para se iniciar em capoeira. Costuma-se dizer que a capoeira é praticada por atletas de zero a oitenta anos. Basta apenas que o individuo se disponibilize para a atividade. Distribuídas estrategicamente, há academias nos bairros: São Dimas, (Mestre Lobão, Mestre Tinta Forte), Galo Branco (Mestre Pantera), Novo Horizonte (Mestre Papagaio), Putim (Mestre Eduardo), Jardim Paulista (Mestre Bill), Mestre Bahia, Mestre Tamanduá...

Texto escrito em 29/10/2013, às 13h00min.

Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC

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