Boxe

Modalidades Esportivas

A ORIGEM DO BOXE

Tido hoje como um dos esportes mais praticados no mundo, o boxe - derivado da expressão inglesa “to Box”, que significa bater ou bater com os punhos - o boxe teria se originado em Creta, na Grécia, sendo praticado também em Roma nos anos 1500 AC.

Classificado como desumano e violento o esporte passaria a ser reconhecido oficialmente após sua participação na 23ª edição dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, ocorrida em 668 a.C. À época, os boxeadores usavam tiras de panos a fim de proteger os dedos e a luta só terminava quando um deles caísse ao solo inanimado ou admitisse a derrota. Com a queda do Império Romano o esporte caiu em decadência, voltando a ser praticado já no fim do século IX, no sul da Inglaterra. Novamente relegado a segundo plano, só voltaria a ser praticado no limiar do século XVIII. A partir de então os boxeadores não mais se enfrentavam na condição de amadores, as lutas passaram a ser objetos de apostas e, em vista disso, também os lutadores passaram a receber dinheiro. O interesse demonstrado fez com que os praticantes do boxe buscassem novas técnicas de aprendizado, tornando-o mais interessante e refinado.

Coube a um nobre inglês conhecido por Marques de Queensbury a regulamentação do esporte. Em razão disso o boxe passou a ser mais plástico e menos violento, os lutadores passaram a ser divididos por pesos e categorias, e as lutas seriam realizadas em cima de um quadrilátero circundados por cordas, tal como o conhecemos hoje. A partir de então o esporte seria chamado de “nobre arte”.

Embora conhecido no continente Europeu já no inicio do Século XX, somente após a inclusão nos Jogos Olímpicos de Saint Louis em 1904 o esporte seria conhecido a nível mundial. Jack Dempsey, Ray (Sugar) Robinson, Rock Marciano, Muhamed Ali, Roberto “Mano de Piedra” Duran, Emile Griff, José “Montequila” Nápoles, Eder Jofre, Massaiko Harada, Carlos Zarate, Ruben Olivares, Hilário Zapata, Vicente Saldivar, Carlos Monzon, Mike Tyson, Julio Cezar Chaves, Ray Leonard, Tomas Hearns, Marvin Heagler, Nino Benvenuti, Carlos Monzon, Nicolino Loche, Oscar de La Hoya, Floyd Mayewather, Many Paquiao, Alexis Arguello são (foram), alguns dos grandes nomes do pugilismo contemporâneo.

O Boxe no Brasil

No final do século XIX, início do século XX não se concebia a ideia de competição esportiva no país. Em razão do preconceito elitista na época, o embate entre homens estava sempre associado à capoeirista e, por conseguinte, a marginalidade. Em vista disso, os raros esportistas existentes no Brasil decorriam de membros de comunidades imigrantes italianas e alemãs residentes em São Paulo e Rio Grande do Sul, e as primeiras competições entre dois homens ou equipes ocorreram entre praticantes de natação e canoagem. Devido a isso, as primeiras exibições de boxe em solo brasileiro foram feitas por marinheiros europeus aportados em Santos e no Rio de janeiro.

A mais antiga luta de boxe documentada em solo brasileiro ocorreu em São Paulo, e é datada de 1913. Tratava-se de uma luta-exibição entre um pequeno ex- boxeador profissional pertencente a uma companhia de ópera francesa e o atleta Luis Sucupira, conhecido como Apolo Brasileiro devido a seu físico avantajado. Filho de conceituada família, além de médico e entusiasta do boxe, Sucupira gozava de grande prestígio na sociedade da época. Embora surrado pelo adversário, nosso atleta reconheceu que a técnica pode superar a força, tornado-se grande divulgador do esporte. Seu testemunho serviu para diminuir o preconceito existente.

Apesar disso, o esporte passou a ser divulgado de forma definitiva em 1919, através de Goes Neto, um marinheiro carioca que aprendera a boxear na Europa. De volta ao Brasil Goes Neto passou a realizar incursões pugilisticas no Rio de Janeiro. Numa dessas, teve como adversário um sobrinho de Rodrigues Alves, Presidente da Republica do Brasil. O apoio de Rodrigues Alves, sobrinho, facilitou a difusão do boxe; novas academias surgiram e logo o esporte saiu da clandestinidade, passando a condição de “legalidade” de esporte documentado, com a criação de “comissões municipais de boxe” em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Tais fatos ocorreram entre 1920 e 1921.

Até a primeira metade da década de 1920 os treinos eram regidos por treinadores improvisados. Coube a Baptista Bertagnoli, que havia aprendido a arte do esporte na Europa, a organização de lutas no Clube Espéria. Seus conhecimentos propiciaram melhor qualidade sobre a pratica da modalidade. Contudo, coube a Celestino Caversázio, a primazia de ser precursor entre os treinadores do boxe nacional. Foi o “professor” dos primeiros treinadores do Brasil: os irmãos Jofre, Atílio Lofredo, Chico Sangiovani, etc. É fundada no Rio de Janeiro, em 1923, a Brasil Boxing Club, a primeira academia de boxe no Brasil.

Em plena ascensão no cenário esportivo nacional o boxe sofreria seu primeiro “knok daw” com o acidente envolvendo Benedito dos Santos, o “Ditão”, literalmente “demolido” pelo experiente lutador italiano Hermínio Spala. Ditão sobreviveu ao massacre imposto pelo pugilista itálico, mas não se livrou das sequelas que mais tarde o faria morrer invalido. O ocorrido faria o governador de São Paulo a proibir lutas de boxe no estado. O revés sofrido pelo pugilista brasileiro levaria os jornais da época iniciar campanha contra a pratica do esporte, convencendo o governador de São Paulo a proibir lutas de boxe no Estado.

O esorte “ressurgiu das cinzas” a partir de 1926, com a ascensão do peso leve Ítalo Hugo, apelidado “Menino de Ouro” pelos experts do pugilismo da época. Entre seus maiores feitos está o nocaute infligido a Juan Carlos Gazala, então campeão sul-americano, ocorrido em 1931. A revolução Constitucionalista de 1932 viria a trazer consequências negativas para o pugilismo nacional.

Nesse meio tempo são criadas as federações de boxe – paulista e carioca, principalmente – possibilitando a oportunidade de lutadores brasileiros disputarem oficialmente títulos internacionais. Também os pugilistas amadores poderiam participar de competições. Prova disso foi a participação no Campeonato Sul-americano de Boxe Amador, disputado em ringues argentinos. Argentinos, chilenos e uruguaios eram tão superiores que perder para eles “apenas” por pontos já seria uma façanha...

A história começou a mudar nos anos de 1940, com a construção do Ginásio do Pacaembu. A partir daí já se poderia assistir a grandes lutas de lutadores brasileiros enfrentando a astros internacionais. Destaques para Atílio Lofredo e Antonio Zumbano o primeiro astro do boxe brasileiro. “Zumbanão” realizou cerca de 140 combates, entre 1936 e 1950, ganhando mais da metade por nocaute.

A afirmação do pugilismo nacional aconteceu com a intervenção de Jacó Nahun, mega-empresário do boxe brasileiro, que iniciou intercambio com dirigentes do Luna Park, o maior ginásio de boxe da América do Sul, conseguindo com que centenas de boxeadores argentinos passassem a lutar, primeiramente no Pacaembu, depois, no Ginásio do Ibirapuera. Nahun lançou no mercado pugilistico sul-americano, entre outros: Kaled Cury, Ralf Zumbano e o campeonissimo Eder Jofre, maior boxeador brasileiro de todos os tempos. Além de Éder Jofre, Miguel de Oliveira, Pedro Carrara, (naturalizado espanhol), Adilson “Maguila” Rodrigues, George Arias, Valdemar “Sertão” e Acelino de Freitas todos campeões, estes pugilistas também subiram ao ringue em disputa de um título mundial de boxe: José Severino, João Henrique (quatro vezes), Everaldo Costa (naturalizado argentino), Danilo Batista, Chiquinho de Jesus, Sidney Dal Rovere, Claudemir Carvalho Dias, Francisco Tomas da Cruz.

São José dos Campos

Patrocinado pelo FADENP, o pugilismo de São José dos Campos participa, exclusivamente dos Jogos Abertos do Interior, porquanto, não há ainda na região, competições oficiais das quais possa participar. A modalidade se mantém em atividade por conta do entusiasmo do treinador Cristiniano Rocha, um ex- pugilista baiano, responsável também pela coordenação do esporte na cidade.

Os treinamentos acontecem na academia localizada nas dependências do Teatrão, todavia, até por falta de maior intercâmbio os lutadores locais acabam preteridos quando da realização de competições oficiais. Em vista disso, fundamentalmente amparados pela legislação esportiva atual, atletas de alto rendimento de outros municípios e até de outros estados são contratados para representar a cidade.

OLIMPÍADAS

Joedison Teixeira

Natural de Salvador, o pugilista Joedison de Jesus Teixeira não era um apreciador do boxe, mas decidiu praticar a modalidade quando viu o pai, que era pugilista, deixar o ringue derrotado. Tricampeão brasileiro na categoria até 64 kg, Joedison conquistou medalha de bronze no Pan-Americano de Toronto 2015, no Canadá. Representou São José dos Campos na Olimpíada Rio de Janeiro 2016.

Julião Neto

Pugilista de 34 anos, experiente, representa a cidade em Jogos Abertos do Interior e em outras competições estaduais e nacionais e até internacionais. Conquistou medalhas em torneios sul-americanos, pan-americanos e pré-olímpicos. Participou da Olimpíada de Londres 2012 e Olimpíada Rio de Janeiro 2016.

Robenilson de Jesus

Baiano de nascimento, Robenilson de Jesus compete por São José dos Campos na categoria até 56 kg em Jogos Abertos do Interior e competições estaduais e nacionais. Tem no currículo a participação de três Olimpíadas: Pequim 2008, Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016.

Texto atualizado em 21/10/2016, às 14h15min.

Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC

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