O inverno rigoroso de 1891 na região de Massachusetts (EUA) impedia a prática de esportes ao ar livre. Assim, o professor James Naismith, na época com 30 anos, foi convocado pelo Springfield College, colégio internacional da Associação Cristã de Moços (ACM), a desenvolver uma atividade que pudesse ser praticada pelos alunos durante o período. Nascia assim o basquetebol.
Naismith utilizou duas cestas usadas na coleta de pêssego e as pendurou na parede do ginásio para a realização do novo jogo, que hoje é praticado por mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, com mais de 170 países filiados à Federação Internacional de Basquete (FIBA). Coube ao professor Augusto Shaw, norte-americano nascido em Clayville a primazia de trazer, em 1894, o basquetebol ao Brasil.
O novo esporte foi apresentado inicialmente às mulheres, que imediatamente o aprovaram. O fato acabou criando uma resistência junto aos rapazes devido ao machismo reinante na época. Além disso, havia uma forte concorrência do futebol, esporte trazido por Charles Müller, e que já se tornara a coqueluche entre os rapazes. Surgia assim, em 1896, a primeira equipe de basquetebol no Brasil: o Mackenzie College.
A modalidade possui duas grandes entidades: a FIBA, que comanda o basquete no mundo, e a NBA, a liga profissional norte-americana, que mantém os princípios do basquete, mas possuem algumas variações nas regras para melhor se adaptar às suas necessidades.
BRASIL
Masculino
O Brasil foi duas vezes campeão mundial de basquete masculino: em 1959 e 1963, com uma geração que fez história e contava com nomes como Wlamir Marques, Ubiratan, Amauri Passos, Rosa Branca, Algodão, Edson Bispo, Sucar, Vitor, Mosquito, entre outros. Derrotado pela então Iugoslávia no Mundial de 1970, o basquetebol brasileiro voltaria a ser destaque em 1987, com a conquista da medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, vencendo o time da casa. Foi a primeira derrota de uma seleção norte-americana atuando em seu território. Em que pese ser o conjunto a força da esquadra brasileira na oportunidade, Oscar e Marcel fizeram a diferença.
Este resultado e a perda do ouro na Olimpíada de Seul, no ano seguinte, fizeram com que os EUA conseguissem a liberar a participação dos jogadores profissionais nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Foi então formado o que é considerado por muitos como o maior time de todos os tempos, o “Dream Team” (Time dos Sonhos), que contava, entre outros com Earvin “Magic” Johnson, Michael Jordan, Larry Bird, Patrick Ewing e David Robinson.
Feminino
O basquetebol feminino brasileiro começou a fazer história internacional no início da década de 1960 quando da realização dos Jogos Pan Americano de 1963, ocorrido na cidade de São Paulo. Dirigida por Waldir Pagan Perez e capitaneadas por Nilza, a fantástica “cestinha” corintiana, Maria Helena, Delci, Norminha, Laís, Heleninha, Odila, Elzinha, Jaci, Nadir, Marlene, Gelci e Benedita brindaram o público amante do basquetebol com atuações de gala, levando o até então desconhecido “bola ao cesto” feminino brasileiro a ser conhecido (e respeitado) a nível internacional. A tão almejada medalha de ouro não veio, mas, o prestígio já fora consolidado. Tanto que na competição seguinte a equipe se sagraria campeã Pan Americana em 1967, feito repetido em 1971.
A vitoriosa geração de Nilza, Maria Helena, Norminha, Laís e Heleninha abriu caminho a que coadjuvada por Suzana, Branca, Leila, Janeth, “Magic” Paula e a “rainha” Hortência, pudessem elevar o basquetebol feminino do Brasil à condição de ser considerado um dos melhores do mundo. O Brasil é o único país no mundo a quebrar a hegemonia imposta por União Soviética (a esquadra russa reinou absoluta, entre 1959 e 1975) e Estados Unidos, os atuais campeões mundiais nesta categoria.
A ascensão da equipe brasileira, o boom, por assim dizer, aconteceu a partir da conquista do quarto lugar no Pan Americano de 1979, em San Juan, no Porto Rico. A seguir vieram o bronze em Caracas em 1983 e a prata em Indianápolis em 1987. A prova inconteste da qualidade do basquetebol feminino brasileiro se consolidou nos Jogos Pan Americanos de Havana, capital de Cuba em 1991.
A vitória do “Five” brasileiro, vencendo na estreia a até então invencível equipe dos Estados Unidos seria o prenuncio do que ainda estaria por vir: Brasil 87 x 84 EUA. Segundo testemunho de Álvaro José, conceituado cronista esportivo de São Paulo, presente no ginásio, a última derrota de uma equipe norte-americana em competições oficiais teria ocorrido em 1976, diante da União Soviética da “gigante” Ulina Semenova, nos Jogos Olímpicos de Montreal. A partir de então as norte-americanas arrebataram tudo o que viam pela frente: Olimpíadas, Mundiais, Pan Americanos. No período entre 1984 e 1988 a equipe se manteve invicta em 42 jogos oficiais.
Naqueles 11 de agosto de 1991, data inesquecível para o esporte nacional, pouco mais de 300 torcedores testemunharam a conquista épica de Hortência & Cia, calando um ginásio com cerca de 20 mil torcedores alucinados que gritava em favor do time da casa, naqueles Jogos Pan-Americanos de Havana. Rivais em competições doméstica, espécies de Pelé/Coutinho das quadras, Paula e Hortência, Hortência e Paula imprimiam o tom que a equipe brasileira precisava para se sobrepujar, tornando inúteis as tentativas das jogadoras adversárias. Presente no ginásio coube ao Camarada Fidel Castro a honraria de premiar a melhor equipe a apresentar no torneio. E o fez com a fidalguia com que deve se comportar um chefe de estado.
Pan Americano à parte, em termos de importância, o feito de maior relevância para o basquetebol feminino do Brasil ocorreu em 1994, com a conquista do campeonato mundial na Austrália. Coadjuvadas por Janeth, Leila, Suzana, Vânia Teixeira, Vânia Hernandez, Branca, Ellen, Hortência e Paula “sobraram” na competição.
A conquista acabou ofuscada pela morte do campeonissimo Ayrton Sena e a conquista do campeonato mundial de futebol, ocorridos em maio e julho, respectivamente. Como que a comprovar que aqueles triunfos não se tratavam de casos isolados, esta mesma geração conquistaria a medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas em 1996. Entretanto, a ausência de melhor planejamento, a falta de renovação aliado ao crescimento do voleibol, levaram o basquetebol brasileiro (o feminino principalmente) à condição intermediária no ranking internacional.
Masculino
Ao longo do tempo o basquetebol de São José dos Campos tem proporcionado grandes alegrias ao torcedor da cidade, fazendo constar em suas equipes grandes atletas do “esporte da cesta” nacional: Edvar, Pedro Yves, José Geraldo, Nilo, Marcelo Vido, Nilo, Pipoca, Carioquinha e Ubiratan, num passado não muito remoto, e mais recentemente Fúlvio, Murilo Becker, Rafael Mineiro, Fabrício, Matheus... Há que destacar a performance alcançada pela ADC EMBRAER, no inicio da década de 90, cuja equipe liderada por Zé Geraldo, tinha como jogadores: Anderson, Wagner, Fritz, Romano, Josuel...
Campeão brasileiro, bicampeão paulista e vice-campeão Sul Americano na década de 1980 representado pelo Tênis Clube de São José dos Campos o basquetebol joseense, agora encampado pela Secretaria de Esportes, volta a ganhar notoriedade nacional ao se sagrar campeão paulista em 2010, vice em 2011, campeão em 2012; vice-campeão do NBB em 2012, 4º colocado no NBB em 2013 com a Associação Esportiva São José.
Essa história de sucesso teve início no longínquo 1947 com a vinda do então professor de Educação Física Edésio Del Santoro, que prestando serviços ao Ginásio Estadual João Cursino, criou as equipes de basquetebol feminino e masculino, usando para treinamento o quintal da AESJ. Posteriormente, agora contando com a ajuda do padre Fortunato Ramos, passou a usar uma quadra do Asilo Santo Antonio, depois, a quadra do Esporte Clube São José. Finalmente, já em 1948 era possível inaugurar os refletores da quadra do Colégio João Cursino em memorável encontro frente à Sociedade Esportiva Palmeiras.
Tendo Marson à frente do grupo, o Tênis Clube São José logrou disputar o título de Campeão Paulista de 1952, sendo derrotado pelo Corinthians. Simples detalhe para uma equipe que já se mostrara preparado para outras conquistas. Tanto que naquele mesmo ano sagra-se Campeão Paulista do Interior em final contra São Carlos, representando São José dos Campos. O time era formado por Edésio Del Santoro, Alberto Marson, Lebrão, Ozires, Hugo Medeiros, Claudio Falcon Mendes e Ivo Prates de Oliveira. Alberto Marson disputou a Olimpíadas de Londres em 1948 e Helsinque em 1952.
Em que pese o domínio dos clubes da capital (Corinthians, Palmeiras, Sírio, Monte Líbano) o basquete interiorano voltava a mostrar sua força através de Franca, São Carlos, (Tênis Clube) São José... O time do Vale do Paraíba voltava a ganhar destaque na mídia do estado conquistando vice-campeonato Paulista do Interior em 1968. O Clube dos Bagres seria o campeão naquele ano. Questão de detalhes... Apresentando um basquetebol acima dos padrões, no ano seguinte o Tênis Clube se sagra Campeão Paulista do Interior duelando com o time francano.
Por conta do interesse despertado, para rivalizar com as equipes já existentes na cidade, surgiria o Confete Country Clube, fundado por jovens estudantes no carnaval de 1951. Entre 1953/54 o “CCC” apresentava uma de suas melhores formações: Carlito Campoy, Ivan, Palmeirinha, Walter Cevada, Eduardo Cury (pai), Iran, Tito Liberato e Neuben.
Os anos sessenta trariam com ele grandes jogos entre equipes estudantis. Tendo como base Mário Finoco, Assis, Robinho, Eduardo e Edvar Simões, O GECA (Grêmio Estudantil Castro Alves) seria uma das equipes de maior destaque. Edvar Simões se transformaria mais tarde num dos principais jogadores do país, defendendo, entre outros, Corinthians, Palmeiras, Sírio, Tênis Clube de São José dos Campos. Para não fugir à regra, foi figura de destaque também na Seleção Brasileira de Basquetebol, chegando a disputar Olimpíadas e campeonato mundial.
Cria do Tênis Clube de São José dos Campos, não bastasse ter sido um jogador excelente, Waldir Boccardo se destacaria também como grande treinador, dirigindo as equipes do Clube de Regatas Flamengo, servindo como auxiliar técnico na Seleção Brasileira. Ainda sobre o Tênis Clube, comandada pelo Professor Alberto Marson, de 1968 a 1971 a equipe principal teve como base: Peninha, Emílio, Edvar, Josildo e Pedro Yves. Representando São José dos Campos este time seria vice-campeão dos Jogos Abertos do Interior e Campeão dos Jogos Regionais.
De rara importância para a história do esporte joseense, foto de São José mostra entre outros: Ivo, Cláudio, Hugo, Gentil... Além dos citados, ainda que em outras épocas e em clubes diferentes (ECSJ, AESJ, TCSJC, ITA, CTA, GECA,) fizeram parte da história do então cestobol da cidade: Zé Oláio, Wilson Bombarda, Linneu de Moura, Ita, Waldir Bocardo, Ruy Veneziani, Josildo.
Feminino
O basquetebol entre mulheres passou a ser praticado a partir de 1946, sob coordenação de Edésio Del Santoro, precursor do “esporte da cesta” no município, responsável pela criação da primeira equipe feminina de basquetebol da cidade. O time base era formado por Dirce, Belita, Doca, Branca e Jaú. Além destas, Cinira, Cirene, Sonewendi, Rita, Deli e Terezinha. Com pequenas modificações esta equipe foi campeã dos Jogos Abertos do Interior em 1946 e campeão do Troféu Bandeirante em 1949.
Entre as principais equipes destacam-se as do Tênis Clube da década de cinquenta que tinha como jogadoras: Eunice, Nely, Tereza, Mabel, Mísia, Neusa, Marlene, Norminha (que posteriormente faria parte da Seleção Brasileira), Cirene, Cedu, Elizabeth e Dirce. Rodolfo Percher era o treinador. Atualmente, o destaque está para as atletas: Vitória, Estela, Carolina, Maíra Fernanda, Paty e Tatiane, com participações em seleções paulista e brasileira. Faz parte da equipe a cubana Ariadna, uma das principais alas do basquetebol feminino no Brasil.
Atualmente, tanto em nível feminino quanto masculino, o basquetebol da cidade tem sobrevivido e se notabilizado graças ao projeto Atleta Cidadão e à FADENP (Fundo de Apoio ao Desporto Não Profissional) encampado pela Secretaria de Esportes e Lazer da Prefeitura Municipal. Todavia, o esporte de São José dos Campos passa a participar dos Jogos Regionais da chamada “era moderna” do desporto interiorano já na sua VII edição. A competição, ocorrida em 1976, tinha como título: “VII Jogos Regionais do Litoral, Vale do Paraíba e São Paulo Exterior”. Seguem-se as respectivas colocações:
Basquetebol Adaptado
Praticado por lesionados medulares, o Basquetebol em Cadeira de Rodas, surgiu no Brasil na década de 1950, trazido por Sérgio Serafim Del Grande a São Paulo, e Robson Sampaio Almeida ao Rio de Janeiro, após período de reabilitação por que passaram nos Estados Unidos. A modalidade é similar ao basquetebol convencional, seguindo o padrão do basquetebol Olímpico, sofrendo adaptações importantes devido ao uso de cadeiras de rodas. Em razão da diversidade de deficiência a que estão expostos cada cadeira é personalizada (grosso modo, a cadeira de rodas para basquetebol adaptado seria equivalente ao coque-pit do piloto de fórmula um) obedecendo a normas de segurança exigidas pela Federação Internacional de Basquetebol em Cadeiras de Rodas.
A pratica do Basquetebol em Cadeira de Rodas (atualmente conhecido como Basquetebol Adaptado) teve inicio em São José dos Campos no final da década de 1990, com um grupo de deficientes que se decidiu pela pratica da modalidade; todavia, somente partir de 2010 é que esta se tornou oficial na cidade.
Segundo informações de Francisco (Chicão) Gentil, coordenador do projeto, no basquetebol adaptado existem duas fases: a do lazer e a fase competitiva, propriamente dita, iniciada por Laudelino o Lau, e Wanderley, que foram os precursores desta modalidade na cidade. Wanderley chegou a ser coordenador estadual da Pessoa com Deficiência em São Paulo. Desde há muito, ambos manifestavam o desejo de que se implantasse um programa de inclusão social em São Jose dos Campos envolvendo portadores de deficiência, tendo como motivo o basquete adaptado. Ainda que timidamente, um processo envolvendo cadeirantes foi implantado na cidade; trouxeram, inclusive, um técnico para comandar a equipe, entretanto, diferenças de ideologia fizeram com que o programa não tivesse continuidade.
Cinco anos depois, Chicão foi chamado a ter uma conversa sobre o assunto com o Dr. Luiz. Chicão disse que aceitaria desde que o projeto fosse tratado com seriedade. Para isso, teriam que comprar cadeiras, montar uma equipe, contratar um treinador. O primeiro passo a ser dado: saber com quem e quantos jogadores poderiam contar. Uma vez formada o grupo, era necessário inscrevê-lo na Federação. Para participar de competições oficiais este teria que ser registrada como clube, problema prontamente resolvido, uma vez que, acreditando na seriedade do projeto Sérgio Monteiro, seu presidente, concedeu uma procuração em nome da Associação Esportiva São José a fim de que aquele pudesse participar.
Devido às condições físicas dos atletas envolvidos faz-se necessário uma logística diferenciada, a começar pela aquisição das cadeiras de rodas adaptadas para a prática da modalidade; estas devem ser personalizadas, posto que, cada atleta tem seu grau de deficiência. Há também a preocupação quanto a transporte e aos alojamentos a ser usado pelos atletas quando em competições fora da cidade.
Chicão é quem fala: “O trabalho psicológico realizado pela comissão técnica tem se revelado de vital importância para o sucesso do projeto, pois não há como não entender que cada qual tem seu limite, e não se pode exigir de uma pessoa além do que ela possa dar”. E continua: “Ademais, transformar competitivo algo que o individuo exercita em forma de lazer requer uma grande dose de perseverança e, sobretudo, paciência. Em razão disso, o primeiro ou principal objetivo a ser alcançado é a superação individual. Antes de superar o adversário o atleta busca superar seus próprios limites. Ultrapassada esta meta, aí sim, passa-se à fase de competição propriamente dita”.
Seguindo a linha de um treinador de futebol contemporâneo “o importante é não perder; o empate está de bom tamanho, venço quando puder”. Traduzindo para o “nosso” basquetebol adaptado, pelo menos por enquanto, “perder eu sei que vamos, só não podemos zerar (não marcar cestas) e tomar mais de 100 pontos”. Nosso trabalho só será reconhecido no dia que conseguirmos “massificar” este tipo de modalidade na região. “A partir daí se poderá pensar em saltos maiores” – concluiu.
Representado pela AESJ, a equipe de basquetebol adaptado disputa atualmente a 2ª Divisão do Campeonato Paulista nesta categoria. O “staf” da delegação tem 20 pessoas, entre auxiliares, comissão técnica e jogadores, assim constituído: Coordenador: Chicão. Técnico: Emanoel; Auxiliar técnico: Gabi; Preparador físico: Edenilson; Fisioterapeuta: Frank. Atletas: Edvaldo, Ronaldo, Alexandre, Ronilson, Evandro, Edcléia, Frediano, Fernando, Bruno, Ryan, George, João Carlos, Akinfas, Jessé, Adilson. A palavra “paralimpico” deriva da preposição grega “para” (ao lado) com a palavra “olímpica”.
Texto atualizado em 29/5/2015, às 12h30min.
Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC
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