Nome: Comercial Futebol Clube
Data de Fundação: 1950 (aproximado)
Apelido: Comercial
Mascote: S/R
Cores do Uniforme: Branca
Campo: S/R
Localidade: Santana
Sede: S/R
Modalidade: Futebol
Conquistas: S/R
Desativado
Histórico
A região de Santana do Paraíba tem sido ao longo do tempo, um dos principais centros de revelação de jogadores para o futebol profissional do estado de São Paulo. Tamanha era (continua sendo) a quantidade dos clubes, e tamanha a qualidade dos participantes, que se houvesse interesse, poder-se-ia organizar campeonatos com apenas equipes da zona norte da cidade.
Dentre os participantes estava o Comercial Futebol Clube, uma das grandes agremiações dessa região entre as décadas de 1950 e 1970. Por conta disso (atividade comum entre as cidades naquele tempo) o Comercial foi convidado a participar de um festival esportivo em Jesuânia, Minas Gerais, em meados dos anos sessenta. Como é de praxe acontecer ficou combinado entre as partes que o clube visitante seria agraciado com um almoço após o jogo, oferecido pelo anfitrião.
Bem, o jogo seria na manhã de domingo. Para não ocorrer qualquer tipo de imprevisto, à moda de comboio o time de Santana viajou sábado à noite para a cidade mineira. Até chegar a Aparecida as coisas corriam as mil maravilhas. Ao que parece ao que tudo indica a visita à padroeira não passou de um álibi, pois conforme ficou constado mais adiante, o pessoal queria mesmo era abastecer a “adega” ambulante com garrafas de cachaça e outros produtos congêneres. Desnecessário dizer que delegação comercialina ficou “mamada” antes mesmo de chegar a Jesuânia.
Seja por um erro de cálculo, seja por falta de planejamento, o pessoal chegou a Jesuânia quatro horas antes de o jogo começar. Bom motivo para a “turma da manguaça”, que aproveitou a ocasião para dar uma esticadinha até a vizinha Lambari, que festejava seu padroeiro. Como se poderá observar, desta vez o pessoal exagerou na dose.
Na hora do jogo tinha neguinho que mal se aguentava em pé. Conscientes de que não conseguiriam segurar o time adversário, os joseense optaram por “melar” o jogo. Se aturar um bêbado sozinho já é difícil, imagine então um bando de cachaceiros. Antes de terminar a narrativa aqui vai uma explicação: o termo “cachaceiro” usado nestas linhas nada mais é que figura de linguagem, porquanto, todos bebiam socialmente. Mas, não tem como escapar; quando se fala em excursão de time de futebol...
A tática usada pelos jogadores visitantes confirmava a tese de que eles podiam até dar uma de loucos, mas certamente não rasgariam notas de cem. Em outras palavras, esvaziaram o estoque de cachaça, mas, certamente, não beberam o juízo. O árbitro só veio a perceber a estratégia engendrada pelos “boleiros” após a quarta expulsão. Como castigo, apesar de todo o desaforo sofrido, a partir dali não expulsou mais ninguém. E o adversário metendo gols... Ao final da porfia o placar assinalava 11x0 para o time local. Envergonhados, os jogadores nem quiserem almoçar. Ainda mais porque no decorrer do jogo a torcida os insultava dizendo: “vocês vieram aqui para jogar ou para almoçar?”.
Mas nem só de espinhos viveu o Comercial... Tido como clássico na região, jogo entre Comercial e Rhodia era sinônimo de casa cheia. Num dos muitos torneios de que participaram o empate favorecia ao Rhodia; ao Comercial só restava a vitória. O Jogo se realizava numa quarta-feira à noite no estádio do Rhodia. Precisando da vitória o Comercial partiu como um bólido em cima do Rhodia, que surpreendido pelo método empregado pelo adversário, não conseguia articular suas melhores jogadas. Com menos de 15 minutos de partida o Comercial já vencia por 1x0. Quase em seguida uma pane na rede elétrica fez com que os refletores se apagassem.
Estava formada a confusão: O Comercial dizendo que os refletores foram apagados de propósito, enquanto o pessoal do Rhodia afirmava que houvera falha no sistema de iluminação. Como não chegassem a um acordo, após 45 minutos de espera o árbitro deu a partida por encerrada. A continuação da partida dar-se-ia no campo do Santaninha.
A ADC Rhodia tinha um timaço. Seu goleiro viera de Taubaté especialmente para aquela competição. A defesa era firme e o ataque finalizador, mas, não houve jeito; logo no inicio acontece uma infração a favor do Comercial, mais ou menos a umas dez jardas distante da grande área. Garrinchinha capricha na cobrança batendo de “três dedos” na bola; esta passa por cima da barreira, encontrando o ângulo superior do arqueiro. Nem bem dá a saída e o Rhodia já sofre o segundo gol. Placar final: 3x0 para o Comercial. E a torcida do Rhodia foi convidada a engolir o choro... Histórico pela circunstancias em que aconteceu, o jogo que começou no campo do Rhodia numa quarta-feira e só veio a terminar três dias depois, aconteceu no campo do Santaninha em 1966.
Neste jogo, de saudosa memória para os torcedores da velha-guarda, o Comercial venceu com: Elidio, Vinicius, Mario Macarrão e Terinho (Cebolinha). Orildo e Nelinho. Garrinchinha, Pri, Adilson, Gegê e Jair Pintado.
Texto escrito em 26/02/2015, às 16h.
Pesquisa e Redação: Valter Brazão/MESJC
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